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Diario D’Atento

O post anterior do atendimento telefonico foi tão comovente que um operador não muito feliz com a exploração fez até uma música para o trabalho árduo. É um verdadeiro poeta modernista.

Aqui estou mais um dia
Sob o olhar sanguinário da monitoria
Você não sabe como é trabalhar
Com a bunda sentada numa P.A.
Supervisor já chegou, vai reclamar.
Estraçalha operador que levantar
Na sua baia em pé, mais um operador José.
Servindo o mercado, gerando lucros.
Passa fome metido a Roberto Justus
Ele sabe o sofrimento, sabe o sacrifício a meta nas alturas, o mailing tá difícil.
Vários tentaram cumprir, eu também quero.
Mas de um a cem, a minha chance é zero.

Será que Deus ouviu minha oração?
Será que esse mês eu recebo comissão?
Manda um recado lá pro meu patrão
Se ele deixa eu almoçar, se eu vender mais um cartão.
Quinze minutos de almoço todo dia
Você acostuma comer marmita fria
Fiz um minuto a menos, ou dois minutos a mais.
Sei lá, tanto faz, banheiro não dá mais.
Seguro a vontade e volto a trabalhar
Não me atraso pra ninguém descontar
Homem é homem, mulher é mulher.
Operador é diferente, né?
Ouve xingo toda hora, trabalha na pressão.
E se revida, toma logo suspensão.
Se um operador estourar a sua pausa
Amanhã vai assinar “demissão por justa causa”.
Ratatatá, mas o gestor vai passar.
De terno Armani, satisfeito, apressado.
Disfarço a tendinite e o ouvido inflamado.
Minha saúde não tem tanto valor
Quanto seu celular, seu computador.

To nessa há dois anos, três meses e uns dias.
No treinamento, tudo era tão legal.
Você fica sob o efeito da lavagem cerebral.
Aí operador, e então: ce quer o que?
A luta ta lá esperando você
Até quando vai deixar ser explorado?
Ta na hora de agir, e lutar organizado.
Aqui tem mano do suporte e mano do ativo.
Retenção, cobrança, receptivo.
Jovem sangue bom tem moral nas quebradas, mas pra Atento é só um número, mais nada.
Cem mil funcionários, em treze países.
Que geram milhões por mês cada.
Ratatá, companheiro, não abandone!
Essa luta no país dos head-phones.
E quem vai contrariar esse meu depoimento?
Dia primeiro de maio, diário de um d’Atento

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